Documentário

O documentário “A Primeira Vez do Cinema Brasileiro” foi produzido ao longo de três anos para comemorar o aniversário de 30 anos do primeiro filme pornô nacional, “Coisas Eróticas”.

Dirigido por Hugo Moura, Denise Godinho e Bruno Graziano, o documentário de longa-metragem conta a história do filme idealizado e produzido pelo ítalo-brasileiro Raffaele Rossi e lançado em 1982 durante o regime militar. “Coisas Eróticas” estreou dois dias depois que a seleção brasileira deixou a Copa de 82 e perdeu o jogo para a Itália, sendo eliminado do campeonato. A tristeza do país fez com que o diretor de “Coisas Eróticas” e o exibidor Francisco Luccas tomassem coragem para colocar o primeiro pornô nos cinemas. Afinal, a sacanagem poderia alegrar os torcedores. Foi então que o Cine Windsor, localizado no coração do Centro de São Paulo, na Avenida Ipiranga, viu, de repente, suas cadeiras serem insuficientes tamanho o público que queria conferir as primeiras cenas explícitas de nosso país.

“Coisas Eróticas” levou 4,7 milhões de espectadores aos cinemas, público superior ao de filmes como “Carandiru” (2003), de Hector Babenco, e “Se Eu Fosse Você” (2005), de Daniel Filho. O filme, dividido em três histórias que muito se assemelhavam ao cotidiano dos brasileiros, teve o roteiro escrito por Laerte Callichio – que, inclusive, dirigiu o segundo capítulo da produção.

Os atores entraram na empreitada sem imaginar que o filme pudesse ver a luz do dia. Isso porque o governo Figueiredo e a Ditadura Militar não perdoavam qualquer cena que, para o Conselho Superior de Censura, fosse considerada imoral. Apoiando-se em um deslize da censura, o diretor Raffaele Rossi conseguiu fazer o filme ser exibido em todo o país.

Oásis Minniti, Jussara Calmon, Vânia Bonier, Walder Laurentis e Zaíra Bueno foram os atores que tiveram coragem de dar a cara – e o resto do corpo inteiro – a tapa para participar da produção que revolucionaria o nosso cinema e traçaria rumos definitivos para a Boca do Lixo de São Paulo.

Ao longo da pesquisa, buscamos os atores e produtores do filme, os cineastas da Boca que viram o filme estourar e os jornalistas e especialistas que acompanharam o sucesso de “Coisas Eróticas”.

As polêmicas histórias do filme estão no documentário “A Primeira Vez do Cinema Brasileiro”, que conta com entrevistas dos seguintes colaboradores:

- Eduardo Rossi, filho de Raffaele Rossi e produtor de “Coisas Eróticas”;
- Maria Cândida, diretora de produção de “Coisas Eróticas” e ex-esposa de Raffaele Rossi;
- Laerte Callichio, co-diretor e roteirista de “Coisas Eróticas”;
- Walmir Dias, montador de “Coisas Eróticas”;
- Jussara Calmon, atriz de “Coisas Eróticas”;
- Vânia Bonier, atriz de “Coisas Eróticas”;
- Walder Laurentis, ator de “Coisas Eróticas”;
- Marilena Minniti e Silvana Minniti, mãe e filha do ator principal de “Coisas Eróticas”, Oásis Minniti, já falecido;
- Dr. Jorge Nascimento, advogado de Raffaele Rossi e amigo pessoal do diretor;
- Dr. João Manoel, sócio de Raffaele Rossi na Empresa Cinematográfica Rossi Ltda;
- Dr. Célio Rodrigues, advogado que, por meio de liminares, fazia com que fimes de sexo explícito fossem liberados pela Censura;
- Conrado Queiroz, morador de Campinas, que presenciou as filmagens de “Coisas Eróticas”;
- Benedito Oliveira, caseiro da chácara de Raffaele Rossi e que cuidou do diretor até o fim da vida do cineasta;
- Assir Pereira, censor responsável por “Coisas Eróticas” no Conselho Superior de Censura;
- Cézar Robertho, ator e amigo de Raffaele Rossi;
- Carlos Reichenbach, cineasta da Boca;
- Cláudio Cunha, cineasta da Boca;
- José Mojica Marins, o “Zé do Caixão”, cineasta da Boca;
- Débora Muniz, atriz da Boca;
- Rita Cadillac, atriz e amiga de Oásis Minniti;
- Virgílio Rouveda, produtor da Boca;
- Tony Cardi, ator da Boca e amigo de Raffaele Rossi;
- Rubens Ewald Filho, crítico de cinema;
- Luiz Carlos Merten, crítico do Estadão;
- Máximo Barro, pesquisador de cinema e montador da Boca;
- Inimá Simões, jornalista e autor do livro “Roteiro da Intolerância: A Censura Cinematográfica no Brasil”;
- María Elvira Díaz-Benitez, antropóloga e autora do livro “Nas Redes do Sexo”;
- André Barcinski, jornalista da Folha e autor do livro “Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão”;
- Gio Mendes, jornalista;
- Pâmela Butt, atriz da empresa Brasileirinhas;
- Kid Bengala, ator da empresa Brasileirinhas;
- Rogê Ferro, ator da empresa Brasileirinhas;
- M. Max, cineasta da empresa Brasileirinhas.

Outras entrevistas, que não foram incluídas na montagem, realizada por Bruno Graziano e Murilo Costa, nos ajudaram a montar o quebra-cabeça pornô.

Aos poucos, descobrimos que “Coisas Eróticas” representou muito mais que só a entrada do gênero pornográfico no país. Os detalhes desta história curiosa, pitoresca e um tanto quanto dramática você confere no documentário “A Primeira Vez do Cinema Brasileiro”.

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Direção: Hugo Moura, Denise Godinho e Bruno Graziano
Roteiro: Hugo Moura e Denise Godinho
Produção Executiva: Hugo Moura, Denise Godinho e Bruno Graziano
Direção de Fotografia: Bruno Graziano
Som Direto: Bruno Graziano
Montagem: Bruno Graziano e Murilo Costa
Trilha Sonora: João Victor dos Santos e Felipe Parra
Mixagem de Som: Capitão Monga Studio
Músicas: Bazar Pamplona e Pélico
Animações: Gustavo Brazzalle e Clint Studio
Grafismo: Gustavo Correia e Henrique Godinho
Correção de Cor: Gustavo Correia
Produtor Associado: Capitão Monga Studio
Apoio: Clint Studio
Cartaz: Gustavo Gialuca

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